¿Com que frequência se deve afrouxar um torniquete?
Se trabalhas em ambientes militares, policiais ou em intervenções onde o tempo é vida, esta é uma daquelas perguntas que parece ter muitas respostas… mas na realidade só há uma certa.
Vamos ao que interessa: no âmbito tático (policial, militar, segurança privada...) moderno não se afrouxa um torniquete até que uma equipa de saúde qualificada tome o controlo num ambiente seguro.
Repito porque é fundamental:
Um torniquete aplicado de forma eficaz NÃO se afrouxa durante a intervenção. Só é retirado ou convertido por pessoal sanitario treinado, depois de cessada a ameaça e cumpridos critérios clínicos.
Se estás a equipar o teu kit de primeiros socorros, aqui podes ver torniquetes táticos homologados e preparados para uso real.
Porque é que no âmbito militar não se afrouxa um torniquete?
Os protocolos TCCC (Tactical Combat Casualty Care) estabelecem que, uma vez colocado, o torniquete não se afrouxa nem se solta no ambiente tático. O motivo é simples: uma hemorragia massiva arterial pode ser letal em questão de minutos.
Afrouxar um torniquete durante uma intervenção pode causar:
- Retoma imediata da hemorragia arterial.
- Piorar abruptamente o choque hipovolémico.
- Contaminação da ferida ao mover tecidos.
- Perda do controlo hemorrágico e do selo obtido.
Quando estamos numa intervenção não há margem de erro: o torniquete mantém-se até que o pessoal sanitario decida convertê‑lo ou substituí‑lo.
Com que frequência deve afrouxar‑se um torniquete?
Resposta oficial: Nunca se afrouxa de forma periódica. A prática de “afrouxar para aliviar” ou “perfusão intermitente” é um mito perigoso e foi banida.
Só pessoal sanitario treinado deve retirar o torniquete. A conversão (mudança do método de controlo da hemorragia) realiza‑se em ambiente sanitario ou semi‑seguro quando se cumprem três critérios: o paciente não está em choque, a ferida pode ser vigiada e o torniquete não controla uma amputação. Além disso, tenta‑se converter dentro das 2 primeiras horas se a hemorragia o permitir, e nunca se retira um torniquete que leva mais de 6 h salvo em bloco operatório.
Duração segura de um torniquete
A evidência de combate demonstra que um torniquete de qualidade pode manter‑se várias horas sem comprometer a viabilidade do membro. Os estudos mostram que a maioria das extremidades se salva com tempos inferiores a 4 horas, e que os riscos aumentam significativamente após 6 horas. Por isso, recomenda‑se converter antes das 2 horas quando possível e evitar ultrapassar as 6.
Situações nas quais pode ser retirado ou convertido
Só médicos ou pessoal sanitario altamente treinado podem:
- Reavaliar o torniquete, expor a ferida e verificar o pulso distal.
- Aplicar um torniquete de substituição diretamente sobre a pele e, se for eficaz, soltar lentamente o original.
- Convertê‑lo num penso hemostático ou compressivo se o paciente estiver estável, a ferida possa ser vigiada e não houver amputação.
Isto nunca se faz sob fogo ou durante a evacuação. Requer um ambiente seguro e supervisão médica.
Porque surgiu o mito de “afrouxar a cada X minutos”
Durante o século XX acreditava‑se que manter um torniquete inevitavelmente provocava amputação. Hoje sabe‑se que a amputação depende da lesão inicial e da duração extrema da isquémia, não do torniquete em si. O risco a longo prazo é muito menor do que permitir que o paciente se esangue.
Que torniquete usar em ambiente militar?
Um torniquete inadequado pode falhar em interromper o fluxo arterial, romper-se ou deslizar. Na SERMILITAR trabalhamos apenas com torniquetes homologados e utilizados por forças militares. Pode vê-los aqui: torniquetes táticos.
Não arrisques a vida de um companheiro com imitações.
Como deve um militar aplicar um torniquete
1. Coloca‑o alto e apertado
Deve ficar acima da ferida, evitando articulações. A dor é normal e significa que está bem ajustado.
2. Aplica‑o em menos de 10–15 segundos
O treino é fundamental: pratica com uma mão para poder aplicá‑lo mesmo que estejas ferido.
3. Verifica que a hemorragia e o pulso distal cessaram
Se continuar a sangrar ou houver pulso, aperta mais ou coloca um segundo torniquete.
4. Regista a hora de aplicação
É crítico para a equipa sanitaria; anota‑a no torniquete e na ficha de evacuação.
5. Mantém o torniquete visível
Não o cubras com roupa nem pensos; o pessoal médico deve vê‑lo rapidamente.
6. Não o afrouxes nem o “testes”
Um torniquete aplicado corretamente mantém‑se até que o controlo da hemorragia esteja garantido por pessoal sanitario.
Situações em que afrouxar um torniquete seria mortal
- Durante fogo inimigo ou sob ameaça direta.
- Durante a evacuação ou transporte do ferido.
- Dentro de um veículo em movimento.
- Em qualquer ambiente sem controlo médico ou sem supervisão.
- Quando não podes ver a ferida nem monitorizar a hemorragia.
- Se o paciente apresentar sinais de choque ou instabilidade.
Em todas estas situações, afrouxar um torniquete pode reabrir a hemorragia e comprometer a sobrevivência.
Perguntas frequentes (versão militar)
¿Afrouxa‑se um torniquete para aliviar a dor? Jamais. A dor é um mal menor; a hemorragia mata.
¿O torniquete causa amputação? A perda do membro depende da lesão e da duração da isquémia. A maioria das extremidades é salvável se for convertido antes de 4 h; os riscos aumentam após 6 h.
¿Se a hemorragia parece ter parado, posso afrouxar? Não. A avaliação e conversão só são efetuadas por pessoal sanitario em ambiente controlado.
¿Serve um torniquete improvisado? Só se não tiveres um homologado. Um torniquete certificado é sempre preferível.
¿É melhor colocar dois torniquetes? Se o sangramento não cessa com um e houver pulso distal, sim: coloca um segundo logo acima do primeiro.
Conclusão
Fica gravado a fogo:
Em contexto militar, um torniquete NÃO se afrouxa nem se retira salvo por pessoal sanitario treinado.
Mantém‑no firme, bem tensionado e visível até que um sanitario o converta ou substitua.
A hemorragia massiva é uma das principais causas de morte evitável em combate. Um torniquete bem aplicado salva vidas; um afrouxado sem controlo põe‑as em risco.
Quando a hemorragia é real, o equipamento também deve ser
Numa intervenção não há segundas oportunidades. Um torniquete homologado, fiável e testado em ambientes reais pode fazer a diferença entre salvar uma vida ou perdê‑la.
VER TORNIQUETES TÁTICOS HOMOLOGADOSUtilizados por forças militares, policiais e equipas táticas.
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